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E-commerce em Sergipe cresce mais de 540% em 10 anos

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Estudo inédito realizado em parceria com a Fecomércio Bahia, pelos economistas Guilherme Dietze e Marcio Rocha, revela que as vendas online no estado saltaram de R$ 346 milhões para R$ 2,23 bilhões entre 2016 e 2025, impulsionadas por players de fora do estado.

O comércio eletrônico em Sergipe passou por uma verdadeira revolução na última década. É o que aponta o mais recente levantamento econômico realizado em uma parceria estratégica com a Fecomércio São Paulo. O estudo detalha a evolução do e-commerce no estado entre 2016 e 2025, revelando um crescimento real (já descontada a inflação pelo IPCA) de impressionantes 544,2%.

E-commerce em Sergipe cresce mais de 540% em 10 anos (Foto: Divulgação)

Em valores nominais, o salto é ainda mais expressivo: o faturamento das vendas online destinadas a consumidores sergipanos passou de R$ 211,9 milhões em 2016 para R$ 2,13 bilhões estimados para 2025, um crescimento nominal de 903,4%. O estudo traz três grandes destaques sobre a dinâmica desse mercado no estado:

O Impacto da Pandemia e a Consolidação das Vendas Reais

O mercado de e-commerce em Sergipe consolidou-se definitivamente a partir de 2020. Com as restrições de mobilidade da pandemia de Covid-19, o faturamento real do setor registrou seu maior salto histórico, crescendo 95,8% em apenas um ano (passando de R$ 498,8 milhões em 2019 para R$ 976,5 milhões em 2020).

Economista da Fecomércio Sergipe, Marcio Rocha

Desde então, o setor manteve uma trajetória de expansão consistente, superando a marca de R$ 1,5 bilhão real em 2022 e atingindo o recorde de R$ 2,23 bilhões em 2025. Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac de Sergipe, Marcos Andrade, os números mostram que o e-commerce deixou de ser um canal de nicho para se tornar um pilar essencial do consumo em Sergipe. 

“O crescimento de mais de 540% em termos reais mostra que o consumidor sergipano incorporou definitivamente as compras online no seu dia a dia. No entanto, o fato de mais de 95% dessas vendas virem de fora do estado acende um alerta para a necessidade de políticas de incentivo à transformação digital do comércio local”, aponta.

O Desafio da Competitividade para o Comércio Local

Um dos pontos de maior atenção destacados pelos economistas é a forte concentração das vendas em empresas sediadas fora de Sergipe. O comércio eletrônico sergipano é amplamente dominado por grandes plataformas nacionais e internacionais:

Em 2016: As empresas de fora do estado respondiam por 91,5% das vendas reais (R$ 316,6 milhões), enquanto as empresas locais representavam 8,5% (R$ 29,4 milhões).

Em 2025: A projeção indica que as empresas de fora do estado dominaram 95,4% do mercado (R$ 2,13 bilhões), reduzindo a participação das empresas locais para apenas 4,6% (R$ 103,0 milhões).

Embora o faturamento real das empresas sergipanas no e-commerce tenha crescido em termos absolutos (de R$ 29,4 milhões para R$ 103,0 milhões), o ritmo de crescimento foi muito inferior ao dos concorrentes externos, evidenciando o grande desafio de digitalização e competitividade que os varejistas locais enfrentam.

O comércio eletrônico sergipano é dominado por plataformas de fora (Foto: Divulgação)

A Mudança de Hábito do Consumidor Sergipano

A relevância do comércio eletrônico no orçamento e nos hábitos de consumo da população de Sergipe transformou-se radicalmente. Em 2016, a participação do e-commerce no faturamento total do varejo do estado era de apenas 1,6%.

Com a digitalização acelerada, essa participação subiu para 2,0% em 2019, deu um salto para 4,3% em 2020 e manteve uma escalada contínua até atingir a projeção de 7,4% em 2025. Essa transição estrutural do varejo físico para o digital é ilustrada no gráfico “Participação do E-commerce no Faturamento Total do Varejo”.

Marcio Rocha explica o estudo destacando o papel estratégico da inteligência de dados cruzando as informações da PMC e PAC para o desenvolvimento regional. “Essa parceria com a Fecomércio Bahia nos deu um meio de consolidar as informações do comércio eletrônico de forma consistente e permite enxergar com clareza que o varejo físico de Sergipe precisa se integrar de forma urgente ao ecossistema digital. O espaço para crescimento existe, mas as empresas locais precisam de capacitação e infraestrutura para competir com os gigantes de fora”, conclui Rocha.

O Sistema S do Comércio é composto pela Fecomércio, Sesc, Senac, Instituto Fecomércio e 13 Sindicatos Patronais em Sergipe. Presidida por Marcos Andrade, a entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.

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