OIT projeta queda de desemprego no Brasil

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), lançou no dia 22 de janeiro o Relatório “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2018″ . Segundo o relatório, a taxa de desemprego global se estabilizou em 2017, após um aumento em 2016. As projeções indicam que a taxa de desemprego chegou a 5,6% em 2017, o que representa mais de 192 milhões de pessoas desempregadas no mundo.

O relatório atribui a tendência positiva entre 2016 e 2017 principalmente ao forte desempenho dos mercados de trabalho de países desenvolvidos, onde se projeta que a taxa de desemprego cairá em 0,2 pontos percentuais adicionais em 2018, atingindo 5,5%, uma taxa abaixo dos níveis anteriores à crise.

O relatório destacou que desde 2012 a redução do emprego vulnerável no mundo está paralisada. Estimou-se que cerca de 1,4 bilhão de trabalhadores estavam em empregos vulneráveis em 2017, e que outros 35 milhões deverão se juntar a eles até 2019. Nos países em desenvolvimento, o emprego vulnerável afeta três em cada quatro trabalhadores. Mas em meio a algumas estatísticas ainda desafiadoras como a redução do emprego vulnerável, um ponto positivo observado pelo relatório é que a quantidade de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza continua a cair em países emergentes, onde o número de trabalhadores vivendo em extrema pobreza deverá chegar a 176 milhões em 2018, ou 7,2% de todas as pessoas empregadas.

A publicação destaca também que as taxas de participação das mulheres no mercado de trabalho permanecem bem abaixo das taxas masculinas. As mulheres também são mais propensas a ter empregos de qualidade inferior e salários mais baixos.

Um fato importante apresentado na publicação da OIT é que os empregos no setor de serviços serão o principal motor do crescimento do emprego no futuro, enquanto os empregos nos setores agrícola e industrial continuarão a diminuir. Os dados mostraram que o emprego vulnerável e informal é predominante na agricultura e nos serviços de mercado. O relatório alertou que as mudanças nos empregos projetadas em todos os setores podem ter um potencial limitado para reduzir os déficits de trabalho decente, se não forem acompanhadas de políticas públicas para aumentar a qualidade dos empregos e a produtividade no setor de serviços.

Outro ponto analisado no relatório foi o envelhecimento da população. De acordo com o mesmo, o crescimento da força de trabalho global não será suficiente para compensar a rápida expansão do grupo de aposentados. Segundo projeções do relatório, a média de idade dos trabalhadores irá aumentar de pouco menos de 40 anos em 2017 para mais de 41 em 2030. Os desafios são enormes para os gestores públicos e os órgãos de governança que são responsáveis por políticas públicas de emprego.

Para a América Latina e Caribe, a previsão é de que a taxa de desemprego diminua apenas marginalmente, passando de 8,2% em 2017 para 7,7% até 2019. Considerando que a taxa de desemprego regional chegou a 6,1% em 2014, a região ainda está longe de se recuperar completamente das perdas de emprego dos últimos anos.

Com a recuperação da economia brasileira, o relatório prevê queda significativa na taxa de desemprego do país, pela primeira vez, desde 2014. Segundo a OIT, a taxa no Brasil deve cair para 11,9% em 2018, ante 12,9% em 2017. Isso significa que o número de desempregados no país deve cair de 13,4 milhões para 12,5 milhões em 2018.

Radar Fecomércio #101

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