Entrevista : Ancelmo Oliveira – Mudanças no Fórum Empresarial

Tendo assumido a coordenação do Fórum Empresarial de Sergipe no final de março deste ano, com a incumbência de realizar mudanças no estatuto da entidade, o economista Ancelmo de Oliveira, que já esteve à frente da instituição na época de sua fundação, em 2000, exercerá mais esse mandato por indicação dos ex-coordenadores e aprovação dos associados do Fórum que é constituído de 24 dirigentes de entidades. Após 14 anos de atuação em prol da classe empresarial sergipana, a opinião é unânime dentro da instituição, de que o estatuto já merece mudanças, a fim de torná-lo adequado com a realidade atual.

 As reuniões-almoço do Fórum Empresarial sempre contam com a participação de um convidado, seja ele do setor público ou privado, demonstrando assim a importância da união das entidades de classe. Com a aproximação das eleições, Ancelmo de Oliveira está buscando também operacionalizar a participação em reuniões-almoço do Fórum com os candidatos ao governo de Sergipe, para conhecer os seus planos e metas, além de apresentar possíveis sugestões com a finalidade de contribuir com a melhoria dos serviços públicos e  para a sociedade sergipana.

RF: Qual a sua naturalidade e formação profissional?

 AO: Nasci no município de Riachuelo (SE), no povoado Roque Mendes. Meu pai José Custódio de Oliveira era oleiro e depois adquiriu um saveiro, muito usado àquela época para o transporte de cargas. Minha mãe, Maria Conceição de Andrade Oliveira, se dedicava a prendas do lar.  Após alguns anos e pela necessidade dos filhos estudarem, houve uma decisão conjunta do casal e vieram morar em Aracaju.  Essa decisão foi mais voltada para a educação dos filhos. Aqui chegando e em paralelo adquiriu uma mercearia (bodega) com a finalidade de complementar a cobertura dos custos de manutenção da família. Já em Aracajú, fiz o curso primário no Grupo Escolar General Valadão, o Ginasial no Atheneu Sergipense e o Curso Contabilidade na Escola Técnica de Comércio de Sergipe. Sou graduado em Economia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).  Fiz Pós-Graduação (nível de  Especialização), em Administração Universitária e em Sistema de Informações Gerenciais na Universidade de Brasília e cursei  o Mestrado  na Universidade Federal de Santa Catarina.

RF: Como e onde o senhor começou a trabalhar, para depois enveredar pelo ramo do comércio?

AO: Comecei a trabalhar desde que me entendo como gente, na bodega adquirida por meu pai quando decidiu vir morar em Aracaju e nós morávamos no mesmo local. Trabalhávamos nela de acordo com a necessidade. Aos 15 anos, fui trabalhar inicialmente na Superlux, moldando letras para letreiros em gás neon e, logo depois, como menor-aprendiz do Senac, na firma dos irmãos Elpídio e Oviêdo Teixeira (Sujeito). Na sequência, prestei serviço militar e, quando fui licenciado do Exército Brasileiro, voltei para Tecidos Teixeira. Em 1966 fui trabalhar na Ricol, com Seu Arivaldo Prata, inicialmente como balconista e depois promovido à gerente. Neste novo emprego, apesar de ter gostado do  trabalho, só passei seis meses, quando então fui aprovado num concurso da Petrobras para trabalhar como Operador de Transferência e Estocagem, no Tecarmo, aqui em Aracaju. Paralelo à atuação no comércio, também exercia, fora do expediente, a atividade de técnico em contabilidade, já que tinha montado um pequeno escritório. Em 1974, eu e mais quatro colegas, fundamos a ECOPLAN – Assessoria e Planejamento e passamos alguns anos trabalhando juntos até 1984. Em 1983, participei como sócio-cotista da Sergipan Comercial de Ferragens. Em 1992 saí da sociedade e, com meus filhos já crescidos e tendo optado por esse ramo, nós criamos a SERPAF – Ferragens e Ferramentas onde,  até hoje, eu e meus filhos atuamos.

RF: O senhor também atuou na Universidade Federal de Sergipe. Como foi a sua passagem por lá?

 AO:   Em meados de 1976 eu havia assumido no TECARMO e,  naquele momento, estava como Encarregado de Operações da Estação Atalaia, quando o Prof. José Aloísio de Campos, que havia assumido a Reitoria da UFS, me convidou para assumir a Superintendência Administrativa. Em 1978, com a extinção da Superintendência, fui designado para coordenar um dos programas ligado às reformas  que começariam a ser implantadas na UFS.  No final de sua gestão do e após ter me qualificado na UnB, fui convencido por ele que deveria deixar a Petrobras e ficar na Universidade.   Já na gestão do Reitor Gilson Cajueiro de Holanda, fui designado para ocupar a Coordenação de Assistência Técnica e Informática, que exerci até fevereiro de 1985 quando, após ser aprovado em processo seletivo, fui para a Universidade Federal de Santa Catarina, lá ficando até dezembro de 1986, participando do programa de Pós-Graduação em Administração. Voltei a UFS na Gestão do Reitor Luiz Hermínio Aguiar e  indicado  para implantar a FAPESE – Fundação de Apoio a Pesquisa de Sergipe, sendo também seu primeiro Diretor Executivo. Fiquei trabalhando lá durante um ano e depois  verifiquei que não estava tendo tempo para conciliar minhas atividades, já que a SERPAF tinha crescido  e demandava a minha presença. Em 2002, por convite do Reitor José Fernandes de Lima, fui designado como membro do Conselho Diretor da FUFS – Fundação Universidade Federal de Sergipe cuja participação, como  voluntário, exerço até hoje e tendo  presidido esse colegiado de 2005 a 2007.

RF:  Na política sindical, qual a sua principal participação?

AO: Por volta de 1996, o amigo Manoel Prado Vasconcelos Filho (Pradinho), me convidou para participar de trabalhos na Associação Comercial de Sergipe (Acese), onde ele era o Presidente, mesmo sem estar como membro da diretoria. Para mim, naquele momento, o importante era ajudar ao amigo  e aprender um pouco da dinâmica dos trabalhos de representação classista. Minha participação oficial se deu quando da eleição do presidente José Moura, onde participei do Conselho Deliberativo da entidade. Sempre me despertou a  curiosidade em participar de entidades de classe. Sempre tive um viés de participação voluntária em entidades sociais, filantrópicas e classistas. Aí então juntou as duas coisas, que foi justamente este sentimento de voluntário e também de fazer algo dentro da minha categoria, que era o comércio.  Em 1998, no final da gestão do companheiro Moura, um grupo de amigos resolveu lançar meu nome para presidente em uma eleição de chapa única. Assumi o cargo de presidente da Associação Comercial e foi aí que notei a necessidade de juntar as classes empresariais sergipanas, que apesar de alguns presidentes serem até amigos particulares, mas como entidade, não conversavam. Assim surgiu o Fórum Empresarial de Sergipe, no ano de 2000 e eu terminei sendo o seu primeiro coordenador. Quando deixei a Presidência da Acese, em 2001, fui convidado pelo futuro presidente, Luiz Otavio Gomes, para integrar a diretoria da CACB – Confederação das Associações Comerciais do Brasil ocupando o cargo de Diretor Financeiro, no qual permaneci por quatro anos. Paralelamente e  por indicação da CACB, em 2002, passei a integrar o Conselho Fiscal do Sebrae Nacional, lá permanecendo por oito anos e sendo eleito presidente desse Conselho no período de 2006 a 2010. Em 2006 fui também convidado pelo novo presidente da CACB, Alencar Burti, para ser o Diretor Executivo daquela Confederação, cargo que exerci  até o ano seguinte quando, no momento da sua reeleição, fui convidado a ser o seu primeiro vice-presidente, cargo que ocupei até o final de sua gestão em 2009. Hoje ocupo o cargo de secretário do meu Sindicato(Sincadise), por convite do companheiro  Hugo França e, desde 2012, participo na Federação do Comércio, da diretoria do presidente Abel Gomes da Rocha. 

RF: Recentemente, o senhor voltou a ser coordenador do Fórum Empresarial?

AO: Realmente. Os companheiros reunidos durante uma reunião-almoço resolveram me indicar para ocupar a coordenadoria da entidade por mais uma vez. Assumi o mandato no final de março deste ano e tenho um trabalho árduo a executar. Pretendo fazer algumas modificações na entidade, principalmente no seu estatuto, para adequá-lo a realidade atual. O companheiro Roger Barros é que deveria tirar o seu segundo mandato, mas por questões profissionais, ele colocou para o grupo que não tinha condições de continuar e foi aí que colocaram essa incumbência nas minhas mãos, de dirigir o fórum novamente. 

RF : O senhor já participou alguma vez da política partidária?

AO: Não. Já fui convidado várias vezes e, pela cobrança que alguns amigos me fazia, cheguei mesmo a pensar em me filiar a um partido político.  Entretanto a complexidade de que se reveste a política partidária, na forma como ela é feita no Brasil, nunca tive coragem de participar diretamente na busca de um mandato eletivo. É claro que nós temos as nossas preferências políticas, eu transito facilmente dentro de todas as áreas e partidos, mas, em verdade, nunca tive coragem de me filiar a uma agremiação político-partidária. Apesar desse meu posicionamento, acho  que é através dos partidos e do exercício do poder que se dão as modificações na sociedade, tenho consciência disso por uma questão de visão da ciência política.

RF: Como é que o senhor encara a política partidária em Sergipe no momento atual?

AO: Como eu falei anteriormente, acho a política partidária uma coisa muito complicada. Nós temos duas candidaturas postas e com possibilidade de ter uma terceira. O quadro ainda está nebuloso, mas teremos esse clareamento até o final de junho. Acho que tudo isso faz parte do jogo político.  As forças políticas sabem como andar nesse terreno pantanoso, pois é um terreno que demanda muita visão dos caminhos para chegar ao poder, porque são assim os  caminhos das agremiações partidárias. Como vai ficar? Eu não sei. Vamos convidar todos para ouvirem as nossa propostas em reuniões-almoço do fórum.  Vamos colocar para eles as nossas demandas, queremos saber as suas plataformas políticas. No mais, vamos aguardar os acontecimentos e o que a sociedade vai decidir.

RF: Qual o remédio que o senhor teria para combater a corrupção desenfreada no país?

AO: O remédio para mitigar os efeitos nocivos da corrupção é uma legislação que permita à justiça agir de forma célere e que seja severa nas  punições a corruptos e corruptores. Entretanto, em nosso pais, as leis são ‘frouxas’ e bastantes recursivas permitindo que se transite pelo fértil terreno das chicanas e dos meandros jurídicos ensejando que os processos se ‘arrastem’ por anos e desaguando na impunidade. Assim, o sistema judiciário brasileiro, por ser lento,  permite que pessoas tenham processos com 20 anos ou mais, e isso termina por estimular as pessoas que não têm os princípios éticos voltados para o que deveria ser a prestação do serviço público. Ao demandarem um mandato, no Legislativo ou no Executivo, muitas pessoas só visam os seus projetos pessoais. Quando a gente diz isso, não está dizendo que todos são iguais, claro que existem políticos sérios. Mas, pelo que a gente vê na mídia todos os dias e pelos casos policiais que aparecem, vemos que as pessoas não estão interessadas em prestar um serviço à sociedade. Eu aprendi que o serviço público, é um serviço ao público, mas a gente vê, em grande parte dos políticos que exercem seus mandatos, não existir nenhum interesse em atender a sociedade. O discurso é um e a prática é outra.  Por outro lado, o Congresso Nacional, que deveria ter a iniciativa de leis rigorosas, prefere manter o  ‘status quo’ ensejando que, quando alguém é punido, até ache que o Judiciário está extrapolando e os apenados acabam se sentindo perseguidos políticos e buscando a aura de heróis.

RF: Qual o nome da sua esposa e quantos filhos tem?

AO: Casei em 1969, com Maria Virginia. Tivemos quatro filhos, três homens (Ricardo Itaboraí, Alexandre Colbert, Ancelmo  e Ana Virgínia). Dois deles trabalham comigo na empresa, o primogênito  é professor da Universidade Tiradentes. Já a moça que tem 25 anos de idade, está enveredando na área de psicologia, como profissional liberal.

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