Produtores de pescados apresentam demandas para Terminal Pesqueiro na Fecomércio

Na tarde de quarta-feira (03), empresários do setor de pescados participaram da reunião da Câmara Empresarial de Pesca e Aquicultura do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, para discutirem as demandas necessárias para o melhoramento da fluidez do mercado em Sergipe. A reunião contou com a participação do superintendente federal de Agricultura em Sergipe, Haroldo Araújo, empresários do segmento e secretários municipais de Agricultura e Pesca dos municípios de Brejo Grande, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, os três maiores produtores de pescados em Sergipe.

Foram discutidas as questões relativas ao beneficiamento do pescado no Terminal Pesqueiro Público (TPP) de Sergipe, que está em fase de estudo de viabilidade, em desenvolvimento pela empresa Terra Firme, cujo representante, Marcos Mendes, ouviu as demandas dos produtores de pescado. Os empresários e representantes dos municípios destacaram a importância do processo de beneficiamento do peixe e camarão pescado em Sergipe, no TPP, o que promoverá ganhos significativos para os pescadores locais, elevando a geração de emprego e renda no setor.

De acordo com o coordenador da Câmara Empresarial, Humberto Eng, a demanda por camarões em Sergipe está em franco crescimento, o que leva à necessidade de promover o beneficiamento do crustáceo no estado, por meio das atividades do Terminal Pesqueiro, em Aracaju. Segundo ele, desenvolver os processos no estado dará maior competitividade para o pescado sergipano, elevando a qualidade do produto, que, com a atuação do terminal, passará a ser beneficiado e receberá certificado do Serviço de Inspeção Federal (SIF), fazendo com que o valor agregado do camarão pescado em Sergipe, seja destinado para o próprio estado.

Segundo o empresário Félix Lee Fei, beneficiar o pescado no Terminal Pesqueiro trará grandes ganhos para a produtividade dos criadores de camarão e pescadores do estado, pois com o processo sendo realizado em Sergipe, o produto local poderá ser comercializado diretamente para os revendedores locais, sem a necessidade de ser levado para outro estado, para ser tratado, refrigerado e revendido no mercado local. De acordo com Lee Fei, 90% do camarão sergipano é beneficiado na Bahia, o que faz com que o próprio pescado sergipano seja vendido mais caro por ter que sair daqui, ser tratado e voltar para o comércio, com preço majorado pelo custo do processo e transporte.

O superintendente federal de Agricultura em Sergipe, Haroldo Araújo, destacou a importância da discussão do tema na Fecomércio, lembrando que a cadeia produtiva será amplamente melhorada com as soluções a serem encontradas a partir das demandas dos produtores.

“Compreendo com extremamente importante a interlocução entre o consórcio responsável pelo estudo de viabilidade do TPP de Aracaju, para fins de concessão, no programa de parceria e investimentos do Ministério da Economia e a Câmara Empresarial da Fecomercio. Esse diálogo servirá para melhor compreensão da dinâmica da cadeia produtiva e, por consequência, subsidiar o consórcio de informações necessárias para o estudo de viabilidade. O produtor conseguirá elevar o valor agregado do produto no próprio estado, ampliando a capacidade de revenda do pescado no nosso próprio comércio, sem a necessidade de buscar o beneficiamento fora de Sergipe, o que promove ganhos importantes para a economia.

Maurício Gonçalves, superintendente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, ressaltou como os processos de beneficiamento do pescado irão fortalecer o ciclo produtivo sergipano, dando mais oportunidade para as empresas do setor elevarem sua capacidade de atendimento ao público e aumentar o contingente de trabalhadores na atividade.

“O mercado de pesca e aquicultura de Sergipe tem muito a ganhar com a atividade do Terminal Pesqueiro. Com a realização dos processos de beneficiamento, tratamento e certificação sendo feitos assim que o desembarque dos barcos e caminhões for realizado, teremos maiores oportunidades de negociar diretamente com os comerciantes do produto, fazendo com que as empresas ganhem mais no exercício da atividade, possam buscar mais investimentos na formação de novas áreas de cultivo do pescado e aumentando a empregabilidade no setor. O trabalho da Fecomércio, através do presidente, Laércio Oliveira, para o melhoramento do mercado de pesca visa dar a real condição de competitividade de Sergipe no cenário nacional, pois somos um dos maiores produtores do Brasil e não podemos continuar comprando nosso próprio produto mais caro por causa de processos que podem ser feitos aqui em Sergipe”.

Fecomércio instala Câmara de Pesca e Aquicultura

Com vistas na potencial expansão do mercado do comércio de produtos de origem pescada, o presidente da Fecomércio, Laércio Oliveira, assinou a portaria que instala a Câmara Empresarial de Pesca e Aquicultura da Fecomércio, que irá trabalhar para estimular as ações direcionadas para o setor de pesca artesanal e cultura de produtos alimentícios de origem da pesca.

Laércio deu posse ao coordenador da câmara, o empresário Humberto Eng, e seu vice, o empresário chinês Lee Fei (Félix), destacando que o trabalho da Câmara de Pesca e Aquicultura é importante para o desenvolvimento da cultura da pesca no estado e o fortalecimento das empresas do setor, que é composto por milhares de pequenos empreendedores, cuja produção é direcionada para abastecer o mercado local e nacional.

“O mercado de pesca e aquicultura sergipano é vasto e temos potencial capacidade de expansão, elevando a qualidade do produto e a precificação do pescado no estado. Sergipe é um dos estados que mais produzem pescado no país, mas tem a desvantagem de não ter a estrutura adequada para atender a demanda dos pescadores de nosso estado. Vamos, por meio dessa câmara, composta por homens qualificados no segmento, trabalhar para fazer o setor de pescado evoluir e encontrar soluções para os problemas do mercado, pois de Sergipe sai muito produto que alimenta vários estados, a exemplo do atum, peixe cuja costa sergipana é um dos maiores berços de criação. Bem como os camarões, que têm sido a alternativa para as regiões de perímetro fluvial, com grande quantidade de produtores de pequeno e grande porte”, disse Laércio Oliveira.

A Câmara Empresarial de Pesca e Aquicultura está composta por empresários do segmento, profissionais ambientalistas e estudiosos do segmento de potamologia e veterinária, além de representantes do Sindicato do Comércio Varejista de Pesca de Sergipe (Sindipesca), entidade representativa das empresas do setor, o que também qualifica a câmara como uma entidade que trabalhará para a defesa dos interesses dos serviços de pesca esportiva e comércio varejista do segmento.