Mercado sergipano aponta 100 mil pessoas sem carteira assinada


Publicado em : 12/04/2016 | por Marcio Rocha | Agência Comércio | Atualizado em: 17/06/2016


Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PnadC), estudados pela Assessoria de Economia da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio-SE), apontam uma marca preocupante no mercado de trabalho sergipano, com elevada taxa de desocupação para a população do estado.

Sergipe encerrou o terceiro trimestre (outubro, novembro e dezembro) de 2015 com uma taxa de desocupação de 9,8%, o que corresponde a 100 mil cidadãos sem trabalho, ou exercendo trabalhos irregulares, sem carteira assinada, o que é considerado um grande contingente de pessoas.

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Fonte: IBGE/PNAD Contínua, 4º Trimestre, 14.03.2016 – Sudanês Pereira (Ass.Economia)

No trimestre anterior, (julho, agosto e setembro), a taxa foi de 8,6% da população em idade ativa, com 14 anos de idade, ou mais. A taxa de desocupados é a maior, superando o primeiro trimestre de 2013, que havia apontado 11,4%, o que significou 116 mil pessoas no período. Em Aracaju, o número supera os resultados do estado em si, com 10,6% de taxa de desocupação de pessoas em condição de exercício de atividade laboral, chegando a 32 mil pessoas na capital sergipana. Já, considerando a região metropolitana, o número sobe para 51 mil cidadãos sem ocupação remunerada.

As pessoas desocupadas, reveladas pela PnadC, estão em situação de trabalho precário, não-remunerado, ou remunerado ocasionalmente (de auto-ocupação), em ajuda a negócios de parentes ou amigos. Fatores decorrentes da crise econômica que afeta o estado, como a redução da atividade produtiva e o aumento do desemprego, formal e informal contribuíram para formação do quadro atual. Se a taxa de desocupação seguir a tendência de crescimento, como mostra a pesquisa, a situação pode se agravar.

A pesquisa do IBGE revelou também a massa de rendimento real médio habitual recebido pelas pessoas ocupadas com carteira assinada, em todas as atividades econômicas. No último trimestre de 2015, a massa de rendimento real médio recebido pelas pessoas ocupadas foi de R$ 1,2 bilhão. No último trimestre de 2014 a massa de rendimento real médio recebida pelas pessoas ocupadas foi de R$ 1,4 bilhão. A queda no rendimento médio dos trabalhadores sergipanos foi de R$ 200 milhões entre 2014 e 2015.

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Fonte: IBGE/PNAD Contínua, 4º Trimestre, 14.03.2016 – Sudanês Pereira (Ass. Economia)

O rendimento médio real do empregado do setor privado, com carteira de trabalho assinada, foi de R$ 1.263, entre outubro e dezembro de 2015. No trimestre anterior o rendimento médio real era de R$ 1.274, caracterizando a queda da renda dos trabalhadores sergipanos. Em Aracaju, o rendimento médio dos trabalhadores com carteira assinada caiu de R$ 2.504, em 2014 para R$ 2.394, no ano passado.

De acordo com o presidente da Fecomércio, Laércio Oliveira, a perspectiva para os próximos meses é de piora no mercado. Laércio alerta que a taxa de desocupação em Sergipe, pode superar os 10% nos próximos meses.

“O rendimento médio real recebido pelo trabalhador do setor privado, com carteira de trabalho assinada, vem caindo ao longo do ano de 2015. A queda da renda do trabalhador formal é ruim para a economia, pois reduz a demanda no comércio e nos serviços, implicando em queda da atividade econômica da indústria. O ciclo econômico entra na fase depressiva, e, com isso, a deterioração do mercado de trabalho pode se acentuar. A dimensão dos problemas sociais que o desemprego pode causar é incalculável. Diante do que a taxa de desocupação nos revela, é imprescindível reverter essa tendência de precariedade do mercado de trabalho sergipano”, comentou o presidente.

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Fonte: IBGE/PNAD Contínua, 4º Trimestre, 14.03.2016 – Sudanês Pereira (Ass. Economia)

Laércio lembrou que é primordial pensar em alternativas para essas pessoas que estão fora do mercado de trabalho. Qualificar o capital humano é extremamente importante em tempos de economia retraída. “O Governo tem um papel primordial na construção e execução de política de qualificação profissional focadas nessa população, e combinadas com a demanda do mercado de trabalho. O sistema S pode contribuir sobremaneira para ajudar na reversão do quadro atual”, finalizou.

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Autor : Marcio Rocha | Agência Comércio
Categorias : Economia, Notícias