Sergipe apresenta recuperação das vendas do comércio após sete meses

O comércio varejista sergipano começa a apresentar sinais de recuperação clara nesta fase recessiva da pandemia, que provocou uma grave crise nos estabelecimentos comerciais. Os números da Pesquisa Mensal do Comércio, divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE, foram estudados pela assessoria executiva do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, que concluiu haver uma verdadeira retomada do crescimento da atividade comercial no estado.

O comércio varejista ampliado apresentou mais uma variação mensal positiva, indicando que os consumidores estão voltando às compras nas lojas sergipanas. O indicador apontou crescimento de 9,6% entre julho e agosto, tanto no volume de vendas, quanto na receita nominal arrecadada pelo comércio sergipano. O indicador segue a trajetória de subida na variação mensal, mostrando a confiança do consumidor em comprar novamente.

Contudo, o dado mais importante para o comércio indicou elevação pela primeira vez neste ano. A variação mensal comparativa com 2019 apontou, pela primeira vez no ano, crescimento das vendas no comparativo com o mesmo período do ano anterior. As lojas venderam 3,3% em agosto de 2020, que em agosto de 2019. A receita auferida pelas empresas foi 7,1% superior a agosto de 2019, o que indica uma recuperação substancial na atividade comercial sergipana. O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac, Laércio Oliveira, comemorou os resultados, destacando que acreditava na recuperação do comércio, nessa fase de recuperação das atividades do comércio, após as dificuldades provocadas pela pandemia.

“Esse resultado de agosto, na variação mensal mostra que o consumidor está mais propenso a voltar as compras, pois os números são crescentes desde maio. Isso é algo que me deixa muito feliz. Mas o que temos a comemorar com maior alegria é a variação anual das vendas de agosto, pois ela foi maior que o mesmo mês do ano passado. Ou seja, as lojas do comércio estão vendendo mais, porque os consumidores entenderam que podem voltar às compras com segurança nesse período de pandemia. Fatores como a redução na transmissão do coronavírus, as promoções ofertadas para o público e o estímulo às compras para, além de recursos como o auxílio emergencial prorrogado, devolveram a confiança para as pessoas voltarem a comprar nas lojas do comércio. Isso é muito importante, pois essa elevação de vendas significa mais receita nas empresas, o que se reverte em maior geração de empregos para nosso povo. E é isso que precisamos recuperar agora, empregos para as pessoas, para que nossa economia volte a crescer”, comentou Laércio.

Vendas do comércio varejista ampliado, agosto 2019. Fonte IBGE

Laércio Oliveira também comentou o processo de recuperação do comércio varejista diante dos problemas provocados pela pandemia. O indicador da variação deste ano acumulada das vendas, que chegou a ser -29% a menor que no ano de 2019, agora aponta -9,3%. O indicador está em queda desde o mês de abril, mas com tendência a fechar negativamente, por conta do tempo em que o comércio ficou de portas fechadas, na fase mais complexa da pandemia no estado.

“Estamos ainda com um saldo negativo de vendas, se compararmos a variação deste ano com a do ano passado. Esse indicador chegou a quase assustadores 30% negativos, que afetou muito o ambiente de negócios, provocou desemprego e fechamento de lojas. Contudo, de acordo com nossos estudos, esse indicador está cada vez menor e poderá encerrar o ano com valores aproximados de queda de 5%, o que é de se esperar, já que enfrentamos muitos problemas com as lojas de portas fechadas. Agora, com o comércio aberto, com o consumidor voltando às compras, com a confiança que a população está conquistando, temos esperança de dias melhores. Mesmo que fechemos o ano com saldo negativo na comparação com o ano passado, melhores dias estão surgindo para as empresas e isso se reflete em todo o contexto econômico. Pois quando temos mais vendas, a economia se retroalimenta, fortalecendo as outras atividades como serviços, indústria, turismo e isso reflete em crescimento dos negócios”, disse.

O resultado positivo nas vendas puxou o mercado de trabalho para situação de elevação também. A movimentação do comércio no processo de retroalimentação da economia, fortaleceu a cadeia produtiva em agosto, que apresentou crescimento nos empregos no estado. Laércio analisa que o mercado de trabalho também poderá manter a trajetória de recuperação, amenizando as dificuldades decorrentes da pandemia.

“O crescimento das vendas, movimenta mais o comércio, movimenta o mercado de trabalho e estimula a roda da economia a girar com maior velocidade. Este é o momento de acreditar nas empresas, no trabalho, em Sergipe. Estamos nos recuperando de todos os danos que a doença provocou, mas estamos saindo mais fortes, confiantes e com coragem para trabalhar mais e robustecer a cadeia produtiva, gerando mais empregos para as pessoas, colocando novos consumidores no mercado, como aconteceu em agosto. Estou muito animado para ver o mercado de trabalho sergipano voltar ao crescimento. E isso se dá com a força das atividades comerciais”, disse Laércio Oliveira.