Lojistas apreensivos com a inadimplência

Carlos Fiel
Jornalista e Economista

Após navegar por vários anos em mar tranquilo, a economia brasileira parece que começou a se complicar e tudo indica que está afundando. Vários setores da nossa economia já estão se ressentindo da dificuldade de crédito para o consumidor e muitos empresários já começam a botar as barbas de molho, visando enfrentar tempos difíceis. De acordo com dados do SPC, Sergipe ocupa o segundo lugar na lista de inadimplentes da região Nordeste.

Segundo dados do indicador mensal de inadimplência, Sergipe está entre os cinco Estados que registraram a maior variação de CPF’s inadimplentes no mês de junho. Para a região Norte, o destaque foi para o Acre, com 10,58% e Roraima, com 10,47%. No Nordeste, Maranhão, 9,40%; Sergipe 8,43% e Ceará, 8,13%. O setor terciário enfrenta grandes dificuldades financeiras, principalmente a área do comércio.

O desemprego, as altas taxas de juros, a elevada inflação e um crescimento menor da massa salarial, são as principais variáveis externas que acabam impactando no problema da inflação. Nós temos que ver também o lado do consumidor. Por que ele ficou inadimplente? Porque não teve capacidade de pagamento.

Por incrível que pareça, o cartão de crédito está sendo um dos grandes vilões do problema, porque contribui para comprometer o orçamento. Existem pessoas, que têm vários cartões de crédito. Quanto mais cartões essas pessoas tiverem, elas vão cair na tentação de comprar e cada cartão tem um limite. Quando vai estourando o limite de um, elas vão entrando no limite do outro e isso termina virando uma bola de neve incontrolável.

Aqui entre nós, a apreensão dos lojistas é grande por causa da inadimplência. Sergipe sempre foi tido como o Estado de melhor liquidez em toda a região Nordeste. Essa posição, adquirida com muito trabalho e suor da nossa população, está descendo pelo ralo e fazendo com que a vigilância seja redobrada, principalmente no quesito vendas a longo prazo.

Nesse período, os empresários têm que estar atentos para as vendas, porque senão, aquele consumidor, com cara de bom moço, terminará por aplicar-lhe um tremendo “cano”. Muitos dos consumidores considerados como “caloteiros”, permanecerão nessa situação até o final do ano, mas com o recebimento do 13º salário, começam a se limpar com relação às dívidas contraídas.  A situação é deveras preocupante e todos comerciantes devem estar de olhos abertos para não tomar o popular “tombo”.